O Panax notoginseng, popularmente conhecido na medicina tradicional chinesa como sanqi ou tianqi, é uma planta medicinal perene nativa do leste da Ásia, cultivada principalmente nas regiões montanhosas do sudoeste da China, como as províncias de Iunão e Quancim. Curiosamente, o nome chinês sanqi (que significa «três-sete») deve-se à sua morfologia única, já que a planta desenvolve frequentemente três ramos principais com sete folíolos em cada um. Pertencente à mesma família botânica do famoso ginsengue-coreano (Panax ginseng), esta espécie destaca-se pela sua composição extraordinariamente rica em compostos ativos chamados saponinas e ginsenosídeos, com especial relevância para o notoginsenosídeo Ft1, que lhe confere propriedades terapêuticas únicas na homeostase e regulação vascular. Ao contrário de outros tipos de ginsengue que atuam majoritariamente como estimulantes adaptogénicos para a energia geral, o Panax notoginseng ganhou o epíteto histórico de «jinbuhuan» (que se traduz como «nem por ouro se troca») devido à sua capacidade dual e quase paradoxal de atuar sobre o sangue: por um lado, funciona como um potente agente hemostático capaz de estancar sangramentos e curar ferimentos ou hemorragias (sendo o ingrediente secreto da famosa fórmula médica de emergência Yunnan baiyao) e, por outro, atua como um anticoagulante e anti-inflamatório que melhora a microcirculação, dissolve coágulos e reduz o inchaço e a dor causados por traumatismos físicos. Além disso, o método de preparação altera drasticamente a sua função: quando consumido cru, é ideal para reduzir o inchaço, as dores e melhorar o metabolismo lipídico, mas quando é cozido a vapor, geram-se novos ginsenosídeos (como Rh4 e Rk3) que potenciam a resposta imunitária e tratam doenças hematopoieticas. Atualmente, a ciência moderna estuda os extratos da sua raiz para o desenvolvimento de tratamentos complementares contra doenças cardiovasculares, proteção do tecido cerebral e prevenção de danos neuronais em doenças como o Alzheimer, embora o seu consumo deva ser sempre estritamente supervisionado por profissionais de saúde, dado que o uso excessivo pode causar náuseas ou hemorragias nasais e apresenta um risco crítico de interação medicamentosa com fármacos anticoagulantes ou cardioprotetores.
Referências