Projeto de influencer reaproveita o teclado e a carcaça do brinquedo da Candide. Placa Pro Micro, Raspberry Pi e tela de 7 polegadas formam o cyberdeck funcional

O PC da Xuxa virou um computador funcional com Linux, capaz de acessar o YouTube, em um projeto da influenciadora e programadora Gio Yaml. Conhecido na internet como meme sobre máquinas lentas, o brinquedo lançado nos anos 2000 teve a carcaça rosa e o teclado de membrana preservados. No entanto, o processamento interno ficou sob a responsabilidade de uma placa Raspberry Pi conectada a uma tela de sete polegadas. O vídeo com a montagem viralizou no YouTube e superou 100 mil visualizações.

A adaptação exige o mapeamento manual do teclado original, soldagem de circuitos, programação de microcontroladores e cortes na estrutura plástica do brinquedo. O TechTudo detalha o funcionamento da placa Pro Micro na conversão de teclas para o padrão USB, a instalação do sistema operacional no cartão de memória e o conceito por trás dos cyberdecks. Veja quais peças precisaram de substituição e como adaptar eletrônicos antigos em computadores portáteis personalizados.

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Projeto de influenciadora transformou um brinquedo em um PC funcional — Foto: Reprodução/YouTube

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Do brinquedo ao cyberdeck

O projeto mantém a aparência nostálgica do Laptop da Xuxa, mas combina peças atuais para executar tarefas de um computador. A seguir, você vai entender como o vídeo viral recuperou a história do brinquedo e como Linux, Raspberry Pi e Pro Micro trabalham juntos. O texto detalha as mudanças no teclado, na tela e no interior da carcaça. Também explica o que avaliar antes de tentar uma adaptação parecida em outro aparelho antigo.

- Notebook da Xuxa vira computador de verdade e viraliza

- Como ela conseguiu colocar Linux no notebook de brinquedo?

- Onde entra o Arduino nessa transformação?

- O que precisou mudar dentro do brinquedo?

- Dá para transformar outros brinquedos antigos em computadores?

- Por que usar Linux em um projeto como esse?

1. Notebook da Xuxa vira computador de verdade e viraliza

Um brinquedo conhecido por atividades educativas reapareceu no YouTube: agora ele roda Linux e reproduz vídeos. A transformação foi feita pela programadora e influenciadora Gio Yaml, que publica projetos de hardware e programação. Um dos vídeos da montagem superou 100 mil visualizações e chamou atenção pelo contraste entre a carcaça infantil e o computador instalado por dentro. A proposta também concretizou uma piada antiga entre jogadores brasileiros.

Lançado pela Candide, o Laptop da Xuxa marcou a infância de quem cresceu nos anos 2000. O brinquedo tinha tela monocromática, teclado grande, voz da apresentadora e 24 atividades voltadas a letras, palavras, números e música. Ele funcionava com pilhas e não trazia um sistema operacional de uso geral, armazenamento para arquivos pessoais ou acesso à internet. Suas funções eram fixas e bem mais simples que as de um notebook convencional.

O modelo usado no projeto foi um laptop da Xuxa da marca Candide — Foto: Reprodução/Enjoei

Com o tempo, "PC da Xuxa" virou uma provocação dirigida a computadores fracos, especialmente em conversas sobre jogos. O projeto inverte essa associação ao colocar componentes modernos na carcaça do brinquedo e fazê-la executar um sistema com interface gráfica. A ideia surgiu após seguidores sugerirem o Laptop da Xuxa nos conteúdos de Gio sobre cyberdecks. O desafio seguinte era construir um computador novo sem apagar os elementos que tornavam o objeto reconhecível.

2. Como ela conseguiu colocar Linux no notebook de brinquedo?

O Linux roda no Raspberry Pi instalado dentro da carcaça, e não na eletrônica educativa que acompanhava o brinquedo. Esse computador de placa única assumiu o processamento, a memória e as conexões necessárias para iniciar o sistema. O Laptop da Xuxa passou a funcionar como estrutura para as peças e como fonte do teclado reaproveitado. Portanto, a transformação exigiu uma troca de hardware, além da instalação do software.

Gio preparou um cartão microSD com o Raspberry Pi Imager, programa usado para gravar sistemas compatíveis com a placa. Ela selecionou o Raspberry Pi OS, inseriu o cartão no Raspberry Pi e iniciou o computador. O sistema fica armazenado nesse cartão, que desempenha um papel semelhante ao da unidade de armazenamento de um PC. O procedimento substitui a ideia de instalar Linux diretamente na placa antiga do brinquedo.

Foi usado o sistema Raspberry Pi para fazer a conversão do laptop em um modelo funcional — Foto: Reprodução/Recoverit Wondershare

Uma tela de 7 polegadas compatível com Raspberry Pi ocupou o lugar do pequeno visor original. Depois de conectar teclado, placa, monitor e sistema, a influencer conseguiu iniciar a interface e acessar o YouTube. Essa demonstração confirma que o conjunto executa aplicações de um computador, dentro dos limites do Raspberry Pi utilizado. Para que as teclas infantis funcionassem nesse ambiente, ainda foi necessário criar uma ponte entre a membrana antiga e a entrada USB.

3. Onde entra o Arduino nessa transformação?

A placa Pro Micro transforma os contatos do teclado original em comandos que o Raspberry Pi reconhece por USB. Compatível com Arduino, o modelo usado traz o microcontrolador ATmega32U4 e pode atuar como dispositivo de interface humana, a mesma categoria de teclados e mouses. Assim, cada toque deixa de ser apenas um sinal elétrico na membrana. Ele chega ao computador como a indicação de uma tecla convencional.

O teclado do brinquedo funciona como uma matriz de linhas e colunas, na qual cada botão fecha uma combinação específica de contatos. Gio seguiu visualmente as trilhas da pequena placa ligada ao cabo flexível e confirmou as conexões com um multímetro no modo de continuidade. Depois, soldou as linhas e colunas aos pinos da Pro Micro. Esse levantamento permitiu descobrir quais sinais correspondiam a cada tecla.

O arduino é responsável por converter os comandos para serem reconhecidos no sistema — Foto: Reprodução/Magnific

Com a placa conectada ao computador, um programa monitorou os pinos acionados a cada toque. A youtuber repetiu o teste tecla por tecla e montou o mapa usado no firmware da Pro Micro. O código associa cada combinação de pinos a um caractere ou comando e envia a resposta pela conexão USB. Com isso, o Raspberry Pi recebe o teclado do Laptop da Xuxa como um periférico comum, sem precisar entender o circuito original.
4. O que precisou mudar dentro do brinquedo?
Gio preservou a carcaça, as teclas e a membrana, enquanto Raspberry Pi, Pro Micro e monitor assumiram as funções do computador. A eletrônica educativa original não tinha recursos para executar Linux ou controlar a nova tela. Também foi adicionado um cartão microSD, responsável por guardar o Raspberry Pi OS. A transformação, portanto, reorganizou o brinquedo em torno de um conjunto computacional diferente.
A área interna da tampa precisou ser cortada para acomodar o monitor de 7 polegadas, maior que o visor monocromático de fábrica. A intervenção exige medidas compatíveis com a tela escolhida e cuidado para não comprometer encaixes e pontos de fixação. Na base, os componentes e fios foram distribuídos dentro do espaço disponível. O resultado conserva o formato do laptop, mas modifica sua construção de maneira permanente.
Foi necessário transformar todo o sistema interno — Foto: Reprodução/YouTube
As conexões finais seguem uma sequência simples de entender. O teclado envia sinais à Pro Micro, a placa converte esses sinais e se comunica com o Raspberry Pi, enquanto a tela exibe a imagem gerada pelo sistema. Detalhes como modelo exato do Raspberry Pi, interface do monitor e solução de alimentação não foram informados no material do projeto. Sem esses dados, não é possível estimar autonomia, desempenho ou consumo do conjunto.
5. Dá para transformar outros brinquedos antigos em computadores?
Outros brinquedos podem virar computadores quando oferecem espaço para placa, tela, cabos e alimentação. Carcaças de laptops infantis, consoles e aparelhos eletrônicos antigos podem receber componentes modernos, desde que a estrutura comporte as adaptações. O resultado costuma ser chamado de cyberdeck quando forma um computador portátil e personalizado. Cada projeto, porém, precisa partir das medidas e dos recursos disponíveis no objeto escolhido.
O teclado e os controles também influenciam o nível de dificuldade. Uma membrana matricial pode ser mapeada e convertida em dispositivo USB, como ocorreu no laptop da Xuxa, mas o processo exige identificar contatos e programar um microcontrolador. Telas antigas raramente são ligadas diretamente a placas modernas sem controladores específicos. Em muitos casos, instalar um monitor compatível é mais viável que reaproveitar o visor de fábrica.
É possível usar dispostivos antigos e brinquedos para criar seu próprio cyberdeck — Foto: Reprodução/Reddit
Antes da montagem, é preciso planejar alimentação elétrica, dissipação de calor, acesso às portas e fixação das peças. Cortes, soldagem e testes de continuidade pedem ferramentas adequadas e experiência para evitar danos ou acidentes. O espaço interno pode limitar o tamanho da placa e da bateria, enquanto a tela interfere no consumo. Escolher o sistema operacional só faz sentido depois que essa base física e eletrônica está definida.
6. Por que usar Linux em um projeto como esse?
Linux combina com cyberdecks porque oferece suporte ao Raspberry Pi e pode ser ajustado ao tamanho do projeto. O Raspberry Pi OS usado por Gio é baseado em Debian e tem versões preparadas para as placas da marca. A edição com ambiente gráfico permite navegar na web e abrir aplicações compatíveis. Opções mais enxutas também podem atender montagens voltadas a tarefas específicas ou com menos recursos disponíveis.
Outro ponto é a liberdade para configurar a inicialização, instalar programas e adaptar periféricos criados pelo próprio usuário. Isso ajuda quando o computador combina uma placa de desenvolvimento, um teclado convertido e uma tela fora do formato comum de notebook. O sistema, contudo, não elimina os limites do hardware. Velocidade, reprodução de vídeo e capacidade de manter vários aplicativos abertos continuam dependentes do modelo do Raspberry Pi e da memória disponível.
Sistema Linux é preparado para projetos desse tipo — Foto: Reprodução/YouTube
No projeto, três camadas cumprem tarefas diferentes. O firmware da Pro Micro interpreta o teclado, o Raspberry Pi processa os dados e o Raspberry Pi OS oferece a interface e os aplicativos. Essa separação explica por que instalar Linux foi apenas uma parte da transformação. Ao reunir as camadas na carcaça rosa, a influencer fez o "PC da Xuxa" trocar a fama de máquina fraca por um exemplo funcional de reaproveitamento, programação e cultura maker.
Com informações de GitHub, YouTube, The Conversationalist e How to Geek
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