Mário Gonçalves de Matos (Santana do São João Acima, atual Itaúna, 23 de setembro de 1891 - Belo Horizonte, 28 de dezembro de 1966) foi um advogado, político, jornalista e escritor mineiro. Imortal da Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira de número 16 de 1928 até seu falecimento, Mário Matos foi, também, membro do legislativo em esfera municipal, estadual e nacional. Formou-se em direito pela Faculdade Livre de Direito da Capital Federal, hoje parte da UFRJ, e, após graduado, exerceu a advocacia em sua terra natal até ingressar na política. Entre suas obras mais famosas, destacam-se "Discursos" e "As Cigarras do Sertão", opereta considerada a maior obra de teatro da história de Itaúna.

Vida Pessoal

Nascimento e vida em Minas Mário Mattos nasceu no então arraial de Santana do São João Acima, atualmente o município de Itaúna. Vindo de família poderosa na localidade, sendo filho de Antônio de Matos, político, neto de Manoel de Souza Moreira, industriário e sobrinho-neto de Augusto Gonçalves de Souza, médico e político. Cursou o primário na própria Itaúna e fez o ensino secundário em Dores do Indaiá e em Belo Horizonte.

Direito e Política Após concluir seus estudos básicos, mudou-se para a cidade de Juiz de Fora, onde ficou interessado pela arte, literatura e jornalismo, publicando, lá, seu primeiro texto, a peça "Juiz de Fora em Flagrante". Depois dessa estadia, transferiu-se para o Rio de Janeiro, a fim de cursar Direito. Na capital federal, também se dedicou ao jornalismo, sendo diretor do periódico Gazeta de Notícias. Em seu período acadêmico, não abandonou a criação literária, escrevendo a peça "A Chegada do Presidente", em homenagem à visita de Marcondes Alves de Souza, eleito presidente da província do Espírito Santo, à Itaúna, terra natal de ambos, além de muitas outras, como "As Cigarras do Sertão". Formou-se em 1920 e voltou para sua cidade. Nos anos seguintes, também dirigiu o jornal Centro de Minas, fundado por seu avô trinta anos antes. No ano de 1923 foi eleito vice-presidente da Câmara Municipal de Itaúna e deputado estadual para o período de 1923 a 1926. Neste ano, elegeu-se deputado federal, fato que se repetiu em 1930. No entanto, teve seu segundo mandato interrompido em outubro do mesmo ano, devido à eclosão da Revolução de 1930 e o consequente fechamento do Congresso Nacional. Mário, então, se recolheu à vida privada. Foi durante seu mandato que a Comarca de Itaúna fora instalada. Também coube a ele fazer o discurso de lançamento da candidatura de Washington Luís à Presidência da República. Em 1927, Mário lançou "Discursos", seu primeiro livro, uma coletânea de ensaios e conferências.

Imortalidade e Vida Pública Em 9 de julho de 1928, Mário Matos foi empossado na Academia Mineira de Letras. Ocupou a cadeira 16, da qual Francisco de Paula Cândido é patrono. Fora, inclusive, presidente da casa de 1935 a 1938 e de 1955 a 1958. Após esse fato, Mário começou a ganhar mais prestígio na capital mineira, e, após a nomeação de Benedito Valadares como interventor federal de Minas Gerais, em 15 de dezembro de 1933, Mário passou a ser lembrado para cargos estratégicos. Nessa mesma data, assumiu a direção da Imprensa Oficial do Estado. Dois anos depois, em 9 de novembro de 1935, foi empossado ministro do Tribunal de Contas do Estado, exercendo esse trabalho até 5 de julho de 1939, ao ser indicado como secretário do Interior e Justiça. Nessa função, permaneceu por pouco mais de um ano, já que foi escolhido para desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, cargo que ocupou até sua aposentadoria em 23 de setembro de 1959. A seguinte certidão resume a atuação pública de Mário Gonçalves de Matos:

Certifico, a pedido verbal da parte interessada e para fins de gratificação por quinquênio, que [...] computa-se ao referido magistrado [Mário Gonçalves de Matos] o tempo líquido de (6893) seis mil oitocentos e noventa e três dias de serviço público prestado à magistratura mineira, e, incluindo-se (1554) mil quinhentos e cinquenta e quatro dias de serviço como advogado, conforme certidão fornecida pelos cartórios da comarca de Itaúna; (1170) mil cento e setenta dias, como deputado estadual, conforme certidão fornecida pelo Diretor da Assembleia Legislativa; (1396) mil trezentos e noventa e seis dias, como membro do Tribunal de Contas e Serviço prestado como Secretário do Interior, conforme certidão fornecida pelo Tribunal de Contas, perfazendo um total de (11103) onze mil, cento e três dias de serviços públicos prestados ao Estado, ou sejam: (30) trinta anos, (5) cinco meses e (3) dias. O referido é verdade. Dou fé. Serviço do Pessoal da Secretaria do Tribunal de Justiça em Belo Horizonte, aos 18 (dezoito) de outubro de (1962) mil novecentos e sessenta e dois.

Aposentadoria Foi nomeado Chanceler do Conselho da Medalha da Inconfidência nos anos 1960. Veio a falecer em 28 de dezembro de 1966. Deixou a esposa, Maria Ermelinda de Almeida Matos, sua segunda mulher, e cinco filhos.

Em uma edição do periódico Minas Gerais, de 30 de dezembro de 1967, o primeiro aniversário da morte de Mário Matos foi lembrado por diversos artistas. Dentre eles, Carlos Drummond de Andrade comentou:

Trocou o Rio de Janeiro pela província, quando a Revolução de 30 o afastou da política e não quis mais saber de bancar o carioca, mesmo quando lhe sopraram outros ventos que seriam favoráveis. Preferiu instalar em Itaúna e depois em Belo Horizonte, sua poltrona de conversador emérito. E quando lhe falavam em reeditar, por exemplo, o excelente estudo sobre "Machado de Assis - O homem e a obra", desconversava mineiramente. Aos prazeres da divulgação preferia os da preguiça, entendida como faixa de cista, leitura, observação e reflexão sem consequência escrita.

Legado

Obras Suas criações eram marcadas pela oralidade e ironia, a qual retratava o cotidiano do interior, principalmente. Carlos Drummond de Andrade também dissera que quem ler ao acaso uma de suas obras "terá a impressão de estar vendo e conversando Mário Matos". Eis sua bibliografia, marcada por gêneros diversos:

Homenagens

A primeira homenagem a Mário Matos ocorreu pela escolha de seu nome para batizar o teatro inaugurado em 1923 no então Largo da Matriz: Theatro Mário Mattos (grafias da época), com capacidade para 900 pessoas. A família Matos, como um todo, era "mecenas" do teatro itaunense, e, já que Mário era autor de célebres textos, decidiu-se por homenageá-lo. Posteriormente o prédio foi transformado no Cine Rex, até ser demolido em 1976. Além disso, o citado Largo da Matriz, durante a administração de Lincoln Machado, foi renomeado de Praça João Pessoa para Praça Mário Mattos. A inciativa de lembrar do filho de sucesso da cidade de Itaúna não durou muito tempo, já que uma lei fora promulgada exigindo que os logradouros tivessem o nome do presidente Vargas e do respectivo interventor estadual. A Praça Mário Mattos passou a ser a Praça Benedito Valadares, a qual, posteriormente, seria a Praça Dr. Augusto Gonçalves. Atualmente, existe, no centro de Itaúna uma Praça Mário Matos, localizada entre as ruas Tácito Nogueira e Geniplo Dornas, aos fundos do Grupo Escolar José Gonçalves de Melo.

Em 1964, já sendo Mário figura consagrada, o Governo Estadual nomeou o fórum da Comarca de Itaúna, criado justamente durante legislatura de Mário, como "Fórum Desembargador Mário Matos", reforçando, ainda mais, a importância dele para a história municipal. Há, ainda, no bairro Minas Brasil, na regional Noroeste, em Belo Horizonte, a Escola Estadual Desembargador Mário Matos.

Ver Também Itaúna Augusto Gonçalves de Souza José Gonçalves de Souza Santanense (Itaúna)

Referências