Geminiano Alves da Costa (Feira de Santana, 4 de dezembro de 1867) foi um importante professor, pedagogo e líder social e religioso, cuja atuação em Feira de Santana, na Bahia, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, representou um marco na luta pela ascensão social através do letramento no período pós-abolição. Reconhecido como um dos intelectuais negros de prestígio em sua época, ele desempenhou um importante papel tanto na educação pública quanto na alfabetização das camadas populares e trabalhadores pobres.
Biografia Nascido em 1867, Geminiano era filho de mãe solteira e, embora de origem humilde, nasceu livre por pertencer a uma família de escravos alforriados. Sua trajetória de ascensão foi impulsionada por uma rede de solidariedade dentro da elite comercial negra local. Foi apadrinhado pelo Major Cícero Carneiro da Silva, um influente joalheiro e comerciante negro, que financiou sua educação formal. Geminiano formou-se como aluno-mestre pelo Externato da Escola Normal da Bahia. Em 1907, consolidou seus laços com a elite negra ao casar-se com a filha de seu padrinho.
Carreira no Magistério Sua carreira docente foi dividida entre o magistério oficial e iniciativas filantrópicas. Em 31 de dezembro de 1895, foi nomeado pelo Conselho Municipal como professor regente da segunda cadeira do sexo masculino no Distrito de Bom Despacho, sendo transferido em 1907 para a sede de Feira de Santana. Em 1918, lecionou na primeira escola municipal da cidade, na Praça Froes da Motta. Paralelamente, destacou-se como pioneiro na educação de adultos, sendo cofundador e primeiro professor da Escola Noturna da Sociedade do Montepio dos Artistas Feirenses e diretor da Escola Noturna para Pobres da Sociedade de Vicente de Paulo, onde alfabetizou trabalhadores que não tiveram acesso à escola na infância. Sua competência pedagógica e a implementação do primeiro censo escolar municipal renderam-lhe, em 1915, elogios públicos do abolicionista Cincinato Ricardo Franca, que o descreveu como um dedicado pedagogo que honrava o professorado baiano.
Campo religioso No religioso, Geminiano ocupou cargos de alta distinção nas irmandades leigas, o que lhe conferia significativo prestígio em uma sociedade majoritariamente católica. Foi membro central da Irmandade de São Benedito, sediada na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, participando da aprovação do novo Termo de Compromisso da instituição em 1903 ao lado do Vigário Moysés Gonçalves do Couto. Embora tenha enfrentado resistências políticas iniciais, consolidou-se como liderança máxima da instituição, sendo eleito e reeleito presidente em diversas ocasiões, incluindo o ano de 1919. Sua atuação demonstrava que a irmandade não era composta apenas por pessoas pobres, mas por uma elite negra letrada que utilizava esses espaços para garantir cidadania.
Homenagens O legado do Professor Geminiano Alves da Costa é preservado na historiografia local como um símbolo da utilização do letramento como ferramenta de resistência e mobilidade social. Atualmente, ele é homenageado com o nome de uma das mais importantes artérias do centro de Feira de Santana: a Rua Professor Geminiano Costa. A via abriga instituições fundamentais para a vida cultural e social da cidade, como a Biblioteca Municipal Arnold Silva, o Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira e a sede do Fluminense de Feira, correspondendo à grandeza histórica do educador que dedicou sua vida ao ensino primário e à alfabetização de sua comunidade.
Referências

